A origem da vermelhidão no rosto

A origem da vermelhidão no rosto

As suas causas

A OPINIÃO DO NOSSO MÉDICO

PERGUNTAS / RESPOSTAS
  • A vermelhidão surge com frequência em pessoas que possuem um tipo de pele particular, designada por pele vaso-reactiva. Tal como a cor da pele, também a vaso-reactividade é um terreno de origem familiar e mais presente em certos países (como a Escócia).

  • São várias as circunstâncias que desencadeiam os flushes (vermelhidão e acessos de calor). Por exemplo, as refeições muito quentes e muito condimentadas ou comer demasiado depressa.

  • Não! Bem pelo contrário... Atenção aos golpes de sol e ao efeito calor. É conveniente não se expor demasiado ao sol e utilizar sistematicamente cremes solares com índices elevados.

  • Os antibióticos aconselhados na rosácea pertencem à família das tetraciclinas. São conhecidos há várias dezenas de anos e o seu manuseamento é familiar a todos os médicos. A boa tolerância destes medicamentos está bem estabelecida.
    O seu médico pode informá-lo sobre os principais efeitos secundários possíveis que são muito raros.
    Prudência: as tetraciclinas podem aumentar a sensibilidade ao sol (e são contra-indicadas na mulher grávida e na criança).

  • Os lasers (existem diversos tipos) permitem coagular os vasos dérmicos e diminuir a vermelhidão. É muito significativa a melhoria da cuperose e da vermelhidão permanente. A intervenção não é totalmente indolor: provoca uma sensação de queimadura ou de picada durante alguns minutos.
    Certas técnicas (arrefecimento, creme anestésico) permitem colmatar esta situação.

A origem da vermelhidão no rosto

Nos países onde a população é maioritariamente branca, estima-se que 3 a 10% dos adultos sofram de “vermelhidão” no rosto. Quer sejam designadas por « maldição dos celtas » ou associadas (erradamente!) ao alcoolismo, devem ser tratadas pois podem instalar-se e agravarem-se.

 


1. Vermelhidão: normal ou patológica?


Ter o rosto vermelho depois de ter passado duas horas a praticar desporto é uma situação normal. Também acontece se apanhar um vendaval de manhã ou ingerir comida picante à hora do almoço. Mas, exceptuando estas manifestações da vida moderna, porque é que surgem no rosto as vermelhidões difusas, constrangedoras e inestéticas? A culpa é dos pequenos vasos sanguíneos que percorrem toda a superfície da pele. As teorias dos médicos variam entre uma anomalia da circulação do sangue (cora normalmente mas o efeito prolonga-se) ou uma hipersensibilidade vascular em que a pele reage por tudo e por nada! Nos dois casos, o sangue aflui ao rosto perante um contexto preciso e as vermelhidões, diversas, mais ou menos marcadas, mais ou menos repetidas prevalecem sobre a tez natural. O fenómeno é mesmo promovido pela presença de factores inflamatórios presentes no sangue que actuam localmente e acentuam as sensações de calor e a vermelhidão do rosto. Além das maçãs do rosto se tingirem de vermelho, podem ainda formar-se placas e surgirem pequenos vasos sanguíneos à superfície da pele no nariz e nas bochechas e, por vezes, também pequenas borbulhas. Enquanto nós, inicialmente, as consideramos inócuas e, logo de seguida, alarmantes, os médicos e farmacêuticos agrupam estas manifestações sob o termo médico de “rosácea”. Para além do dano estético evidente, têm em comum provocar sensações de desconforto em que a pele parece irritada, repuxa e parece que queima de orelha a orelha.

 



2. Uma patologia evolutiva

O termo rosácea engloba 4 estadios clínicos.


Estadio 1 : Vermelhidão intermitente ou flush

Inicialmente, trata-se de uma reactividade vascular anormal. Sob influência de diversos factores como as mudanças de temperatura, o consumo de certos alimentos ou o simples stress emocional, produz-se uma vermelhidão abrupta, designada pelo termo inglês “flush”. Embora estas manifestações sejam intermitentes e não se observe qualquer anomalia especial entre dois flushes, estes acessos de vermelhidão não devem ser negligenciados porque, infelizmente, podem tornar-se permanentes.


Estadio 2 : Vermelhidão permanente ou eritrocuperose

O rosto apresenta-se permanentemente vermelho, sobretudo nas maçãs do rosto. Embora possa simplesmente traduzir uma grande sensibilidade aos UV, é, sobretudo, o sinal de uma deficiente circulação venosa do rosto que se manifesta, consoante os casos e as pessoas, pela dilatação dos pequenos capilares microscópicos que dão às maçãs do rosto uma cor rosada-avermelhada homogénea, ou pela dilatação dos grandes vasos, visíveis a olho nu, frequentemente de aspecto sinuoso e desagradável.
 

Estadio 3 : Pápulas ou pústulas

A componente inflamatória da rosácea passa para primeiro plano e surgem as borbulhas que fazem lembrar a acne dos adolescentes. Antigamente, falava-se mesmo de « acne rosada ». Mas o termo, impreciso, foi substituído pelo de « rosácea papulopustulosa » para traduzir a presença de borbulhas vermelhas (as pápulas) e de borbulhas de cabeça branca (as pústulas). Neste estadio, é necessário adaptar o tratamento a estes fenómenos inflamatórios.


Estadio 4 : Hipertrofia sebácea 


Trata-se de uma afecção da pele mais rara, com enormes danos estéticos. Para além dos vasos sanguíneos, observa-se a dilatação das glândulas sebáceas, com mais frequência no nariz que fica vermelho, mais largo e deformado. Esta evolução afecta quase exclusivamente os homens.

Esta classificação oficial em quatro etapas clínicas relembra que pode tratar-se de uma doença evolutiva. Se a deixarmos instalar-se, será mais difícil travá-la, em seguida. Por outras palavras, é precisamente quando surgem as formas mais benignas, com vermelhidão simples, do tipo flush ou eritrocuperose inicial, que se deve actuar. Como? Graças ao uso de cuidados dermocosméticos adaptados e evitar os elementos capazes de estimular a reactividade da pele, tal como a exposição solar sem protecção. Os estadios 3 e 4, para além destes cuidados básicos, necessitam da opinião de um médico e da prescrição de tratamentos. 

 



3. A influência do estilo de vida


Vascular, infecciosa, imunitária... A origem precisa da rosácea é ainda discutida pelos especialistas. No entanto, sabe-se que certos factores podem agravar ou contribuir para as crises de rosácea e que certos hábitos podem minimizar a sua repercussão.
 

Os factores agravantes:


- Exposição prolongada ao sol ou sob as lâmpadas de bronzear. Os raios UVA provocam a dilatação dos vasos sanguíneos que, após algum tempo, pode tornar-se permanente. O calor também exerce um efeito nocivo : ao dilatar os vasos, acentua o efeito dos raios.
- Alterações bruscas de temperatura.
- Condições climatéricas extremas (frio, chuva, calor, etc). 
- Consumo de bebidas quentes, pratos condimentados ou álcool.
- Emoções fortes, como a cólera, a vergonha, o stress
- Flutuações hormonais durante a gravidez ou na menopausa.
- Toma, por via oral ou local, de corticóides que provocam a dilatação dos vasos sanguíneos e o adelgaçamento da pele o que, lentamente, agrava a rosácea.



Os bons hábitos:


- Recorrer a cuidados de higiene específicos. Ou seja, privilegiar a utilização de produtos suaves, se possível, « Antirougeurs » que podem aplicar-se com os dedos.
- Escolher cremes dermocosméticos adaptados que contêm activos específicos para as peles sujeitas a vermelhidão e cuja textura se adapta ao seu tipo de pele.
- Antes da aplicação dos cremes, será benéfica para a pele uma pulverização com Água termal, graças à sua acção suavizante e descongestionante.
- Proteger o rosto das agressões climáticas e do sol, aplicando um protector solar no verão. 
- No caso de vermelhidão instalada, aplicar de manhã e à noite um cuidado concentrado para melhorar a microcirculação e descongestionar.
- Em caso de aquecimento, utilizar uma máscara suavizante e reparadora. 
- Para os estadios mais avançados, impõe-se uma consulta médica.

 



4. Os pacientes-tipo

Não há apenas um culpado. Portanto, não existe um teste genético ou biológico que permita determinar quem estará sujeito a vermelhidão ou não… Apesar de tudo, os estudos definem um « retrato robot » das pessoas mais expostas.
- Pessoas de pele clara, olhos claros, cabelos claros, geralmente de descendência irlandesa, escocesa ou da europa do norte (Noruega, Suécia, Finlândia). Em França, é na Bretanha que a rosácea é mais frequente.
- Pessoas cujos pais sofreram de rosácea. Certos factores hereditários aumentam o risco de se ser afectado.
- As mulheres. Em 60 a 70% dos casos, o paciente é uma mulher.
- Adultos jovens. A rosácea declara-se geralmente entre os 25-30 anos. Depois, existe um pico entre os 40 e os 50 anos.



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